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no oitavo andar do jornal, cara a cara com o editor de moda. ele me pergunta onde compro minhas roupas, de que estilistas eu gosto. pergunta o que tá rolando no mundo da moda, no mundo das artes, no mundo da música e indústrias à parte. me desconstrói com os olhos e me faz pensar em cada palavra que vou usar pra responder. pede dez sugestões de pauta e uma série de artigos que já escrevi. jornalismo parece uma coisa séria de novo. e a moda é o que mais importa dessa vez.
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fashion season is like a vicious scorpion dance: a potential brush with toxicity can happen at any time. são palavras do andré leon talley, que é um negão enorme, na última vogue americana.
a próxima fashion theory vai falar de ecomoda e tecidos ecologicamente corretos: algodão orgânico, seda selvagem e soja.
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no café, eu, a veri e o will decidimos ser pessoas melhores. vamos ler mais, criticar mais, reclamar menos. é preciso achar uma nova ordem pra não morrer de tédio, medo ou desespero.
conheci o bóris, lhasa apso do tarcísio. ele trouxe o cãozinho pro café na noite de 8 graus hoje em são paulo. depois falamos de moda por horas a fio. ele reclamou da cobertura idiota de quase toda a imprensa. disse que não agüenta a erika palomino e alfinetou, dizendo que o lançamento do livro dela tinha sido um grande fracasso nos idos da cultura do babado forte.
o luizinho apareceu depois e flertamos com a idéia de resgatar a flan. o fuku pediu hoje pelo msn que a gente ressuscite a revista e tem idéias de falar de música. enquanto isso, vou desengavetar minha série de fotos da barbie e do ken para ilustrar a matéria da babel.
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juntando os cacos do meu apartamento sempre em obras, achei dois poemas rabiscados em folhas amassadas no chão. são fragmentos de mário de andrade e william shakespeare. propícios para o outono paulistano.
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da ponte das bandeiras o rio / murmura num banzeiro de água pesada e oliosa / água noturna, noite líquida, afogando de apreensões / as altas torres do meu coração exausto. de repente / o ólio das águas recolhe em cheio luzes trêmulas, / é um susto. e num momento o rio / esplende em luzes inumeráveis, lares, palácios e ruas, / ruas, ruas, por onde os dinossauros caxingam / agora, arranha-céus valentes donde saltam / os bichos blau e os punidores gatos verdes / em cânticos, em prazeres, em trabalhos e fábricas, / luzes e glória, é a cidade… é a emaranhada forma / humana corrupta da vida que muge e se aplaude. / e se aclama e se falsifica e se esconde. e deslumbra. / mas é um momento só. logo o rio escurece de novo, / está negro. as águas oliosas e pesadas se aplacam / num gemido. flor. tristeza que timbra um caminho de morte. / é noite e tudo é noite. e o meu coração devastado / é um rumor de germes insalubres pela noite insone e humana.
os rios, ôh minha doce amiga, na beira dos rios / é a terra da povoação em que as cidades se agacham / e de noite, que nem feras de pêlo brilhante, vão beber…
…cidades que nem feras bebendo na praia dos rios…
luzes suaves e certas, luzes até nas sombras, / doçura em tudo. os homens estão mais longe, / são apenas recordações mansas pousando / num sentimento sem temor. / os ruídos se amaciam quase envelhecidos, / doçura em tudo. o chão é vagarento, / o ar se esquece. a tensão do insofrido se abranda / como a firmeza das continuações
os reflexos do sol vermelho / incendeiam as multidões / felizes / que construirão a outra são paulo.
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to die, to sleep – no more… / and by a sleep to say we end the heartache, / and the thousand natural / shocks their flesh is / heir to. tis’ a consumation / devoutly to be wished.
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discordei hoje da obsessão que o thiago tem pela razão e o quanto ele aprecia certa sinceridade ácida. eu acredito na potência da beleza e só isso. são valores opostos. ele é conservador na maneira que julga o sublime conivente com abusos metódicos. eu sou nada metódico e gosto da paixão despertada no calor do momento por algo tão inexplicável, futil e crucial quanto a beleza. se não há beleza em mim, seja ela qual for, prefiro morrer agora mesmo. o mundo se esvazia na ausência daquilo que o sobrenome stendhal veio a batizar de síndrome. e tudo gira em falso numa noite como essa.
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fui ler o jornal com o will no café hoje de manhã. achei as botas que comprei em roma no porta-malas do carro e pus os óculos de sol pra encarar a luz de maio. foram dois doppio espresso e mais um café pra arrematar.
o eric rohmer disse que la peste do albert camus foi o pior livro já escrito na literatura francesa. também vão lançar os escritos de roland barthes e jerzy grotowski sobre teatro. já era tempo, mas o esquema é ler mesmo em francês. depois tom wolfe diz que não acredita em quem gosta de escrever. ninguém sente prazer escrevendo; todo mundo gosta é dos aplausos depois_se for bom. eu disse depois pra um psicólogo do abc no café que não sentia prazer escrevendo, mas que sentia prazer por escrever. às vezes.
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o agnaldo farias montou 80/90 – modernos, pós-modernos etc. no tomie ohtake. adriana varejão ataca de açougueira com extirpação do mal por incisura: a tela passa por cirurgia e ficam só as entranhas de demônios imaginários à vista. uma maca ao lado acomoda a carne removida.
tem três obras do leonilson. o que seus olhos me dizem expõe em italiano a vontade de descobrir os perfumes de um bosque de oliveiras e pergunta onde estão os gladiadores. digladiam roxo e amarelo em cada delícia tem um preço: anéis de diamante circulam conjecturas vagas entre o calor do fogo e o azul do mar.
fica evidente o questionamento da matéria e a fusão de suportes. ester grinspum transforma ferro em madeira em movimento. madeira vira tecido numa instalação do marcos coelho benjamin. na sala ao lado, os retratos cegos do iran do espírito santo tratam a placa de mármore como papel de seda para rascunhos. nazareth pacheco resgata os parangolés de oiticica com um vestido de borracha. sérgio romagnolo faz derreter um botijão de gás de plástico modelado. leda catunda ocupa uma parede inteira com a cachoeira: acrílico e renda se misturam numa experiência cinética de estampas plásticas. as silhuetas da brígida baltar perfilam lado a lado pedaços de madeira, pó de tijolos, lascas de tinta e pedaços de parede. nuno ramos gruda entulho nas telas e desafia o presente.
enquanto isso, outros mergulham num hiper-realismo de irreverência blindada. luiz zerbini aparece com madame caduvel e barrão. luiz ernesto mistura sapatos e peixes no retrato de uma vitrine. tem traqueotomia do alex flemming, exemplo de pontilhado cirúrgico ou remoção pontual de um obstáculo que engasga. cada um adota suas heranças em obras de individualismo exacerbado. é o caso de florão da américa do delson uchôa, o relicário de caetano de almeida e africanas do fernando lucchesi, pra citar alguns.
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amor é quando vêm te pegar no trabalho no fim do dia. o resto, anéis e flores, pode enfiar no cú. é o que diz a puta espanhola à puta dominicana em princesas, filme do fernando león de aranoa, que eu vi no gemini. do retrato quebrado às vezes ingênuo da vida na troca de euros por orgasmos, fica o gosto amargo de algo que não se completa. e a certeza de que são todos equilibristas longe da bonança.
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a artista edith derdyk levou 24 mil folhas de papel de alta alvura para o octógono da pinacoteca. a obra onda seca são cinco vagas de papel de 1 m de largura cada. a mais alta delas chega a quase 1,5 m de altura.
são ondas travadas numa inércia entrecortada. é o desejo de avanço estanque, preso nas montanhas de papel. um vídeo ao lado esmiúça o invisível. as folhas que compõem cada onda vão passando página a página: é a análise de um movimento estacionado na entrada da pinacoteca.
derdyk rodopiava de echarpe verde entre elogios de amigos e curadores. a marília razuk, que tem a artista entre os nomes da galeria, também tava por lá. reclamaram que quase nenhum jornal deu a notícia do vernissage. mereceu só duas linhas da mônica bergamo de sábado.
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enquanto isso na vila madalena, a fortes vilaça cedeu o espaço pra uma individual da rivane neuenschwander. ela volta à caça de palavras com mapa-múndi br, série de postais que mostram estabelecimentos comerciais no brasil com nome de cidade e país estrangeiros. é um mapa informal do mundo segundo anônimos nos cantos mais remotos do país. trouxe pra casa as fotos do caribe motel, a loja canaã presentes, a serralheira manchester e o bar texas.
uma ou outra palavra cruzada, que ocupa quase todo o térreo do 1500 da fradique coutinho, são pedaços de faixas e letreiros coletados ao acaso. chama mais atenção o painel do segundo piso. atrás da porta reproduz imagens de portas de banheiro que a artista encontrou país afora. é arte anônima repaginada em galeria. engraçado que os diletantes de porta de banheiro evocam keith haring, goya, basquiat, jean cocteau, andy warhol e marcelo cidade no passatempo escatológico.
jochen volz apareceu por lá. a marta bogéa também veio e contou animada que vai trabalhar com o moacir dos anjos no próximo panorama do mam. foi embora rápido pra cuidar das crianças.
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uma perseguição policial abalou a artur de azevedo minutos depois. contei sete carros de polícia rasgando em direção à marginal. causou alvoroço entre os meninos de rua, que deixaram os malabares de lado pra observar a pancadaria.
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na esquina da francisco leitão com a artur, encontrei o guilherme e a paulinha. o will apareceu pouco depois e dividimos cervejas no fim de tarde outonal. cada um falou sobre seu terapeuta: o do gui é lacaniano, enquanto a paulinha só revelou que já falou de mim pro dela. ela tá de esmalte novo, um goiaba intenso.
depois foi hora de ceviche no el guatón. a empada de escarola também foi providencial.
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não consegui comprar café da manhã porque um motorista bêbado destruiu com o carro a vendinha embaixo do meu prédio. policiais cercavam a loja que teve todas as vitrines quebradas. em cima do capô do carro, garrafas de vinho, pedaços de pão e toda a mercadoria que ninguém mais vai comprar.
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homens destruíam a calçada da folha ontem para passar cabos por baixo da terra. as britadeiras contornavam as pedras mais escuras que formam as letras escritas no chão. algumas foram removidas à mão pra serem recolocadas depois. isso tudo numa manhã de ódio.
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um homem de camiseta verde dormia enrolado numa manta verde em frente à porta verde de uma das quatro igrejas que se encaram no largo terreiro de jesus. uma puta gorda veste shorts jeans azul e um decote de paetês e lantejoulas sobre os peitos queimados de sol. o licor de gengibre não está bom no cravinho. os policiais de capacete branco administram a multidão. o largo do pelourinho mergulha ladeira abaixo e as casas voltam num respiro ladeira acima. a cidade se projeta em ondas do mar, audíveis em qualquer ponto. as luzes coloridas pra turista ver do elevador lacerda ironizam a potência rasteira da cidade baixa e as putas e os barcos e as paredes azuis e cortiços decrépitos e os peixes da baía de todos os santos.
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quando apagam as luzes da piscina do hotel pestana, aparece um céu carregado de estrelas. as últimas que vi em são paulo foram na noite de resistência à entrada da tropa de choque na reitoria da universidade. aqui as estrelas ganham novos peso e medida.
hoje fiz 23 anos e já não sinto o passar do tempo. brindamos a efeméride com quatro mojitos, duas doses de gin e outras tantas cervejas. grudei os olhos no céu e ouvi o barulho do mar.
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o liceu de artes e ofícios anda mal cuidado e queima no calor da tarde. o ar que esturrica os corpos nos andares de baixo é de uma densidade que congestiona caminhos. mas lá em cima, no terraço, a brisa arrepia e amplifica o estrondo da cidade. ficam expostas as paredes descascadas e a ruína por trás das fachadas restauradas do largo do lado de lá.
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sumiram da santa casa da misericórdia os documentos com as punições previstas para as freiras e mulheres enclausuradas que caíssem em tentação_entre elas.
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do 19º andar, a cidade se espalha em luzes e o mar estoura contra as paredes. quatro estrangeiros dividiam a jacuzzi.
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na baixa do sapateiro, a campeã de vendas de eletrodomésticos é a loja insinuante. mulheres gordas dormem na porta de cada armazém diante de tachos com caldo escaldante.
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passei o dia acompanhando a rotina da ocupação da reitoria. fiquei dividido entre o jornal e a universidade. senti a emoção estranha do clima de revolução e a potência do impasse que racha o movimento em tantos quadros.
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embarco pra salvador dentro de algumas horas. minha cabeça explode com a dor dos megafones e a microfonia dos estudantes.
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dia vazio hoje. passei a tarde na rota da pegação pra matéria que estou escrevendo pra babel. almocei na república, chequei o banheiro da estação, fui até o paraíso e contei o número de meninos se agarrando no banheiro de porta m-24.
depois fui pro shopping paulista, esbarrando na verena e na johanna na bernardino de campos. voltei andando pela paulista, tomando uma casquinha de chocolate. dei um tempo no frei caneca e voltei pra casa pra escrever num dia vazio sobre a vida vazia de quem procura esse sexo que acaba em masturbação. meio como jornalismo.
o karim ligou lá do resfest, mas hoje não fui. passei o fim de tarde escrevendo e jantei com o thiago. tudo anda meio estranho. voltei pra minha matéria e sofri mais com a falta de idéias e um texto raso que revela o grau de ferrugem que acomete meu cérebro. fui amargo pro café encontrar o vini e o guilherme.
tomei um whisky e comi o doce de sempre. o chris pôs portishead pra tocar e eu desfiei um rosário de lamúrias. brinquei com o reflexo da luz numa colher dentro de um copinho americano. ouvi a explicação do vini pro conceito de tempo em thomans mann. aliás, o guilherme e o will estão lendo a montanha mágica. ouvi uma versão que não conhecia de ne me quittes pas e morro de saudades de coisas que já não sei mais o que são. c’est trop tôt pour dire je t’aime.
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os japoneses hypes de são paulo e todo mundo que curte boa música baixou hoje na cinemateca pra ver miho hatori. começou com uma hora de atraso depois do show surpresa do my brightest diamond, hoje com a vocalista shara worden meio travestida de harajuku girl.
mas a noite valeu porque a voz da miho hatori escorre que nem mel sobre os acordes pontiagudos dos arranjos que misturam pizzicato five com luiz gonzaga. é difícil ouvir música com tantos tentáculos hoje em dia. os versos dela abraçam tóquio, nova york e são paulo mais rápidos que a velocidade do som.
hatori diz que brincava à sombra das pereiras japonesas quando era criança. depois se mudou pra nova york e aprendeu a ser punk. agora entoa melodias futuristas, como ela mesma classifica, e lista entre inspirações tudo entre baião de dois e o filme brazil.
ela me disse que fazer música é tão importante quanto comer, daí o nome da banda cibo matto, que ela formava com yuka honda. agora longe da fase da comida como metáfora universal, ela só deixa todo mundo com fome de mais música. o resfest podia ter sido só ela.
encontrei o fuku por lá, que acompanhou a passagem de som e aproveitou pra conversar com ela. gostou tanto do show quanto eu. depois vi a lúcia koch numa das primeiras filas em frente ao palco, curtindo com seus olhos enormes. o maurício do multiplex também esteve por lá e o fernando oliva fez uma aparição relâmpago.
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só perdi o drawing restraint 9 do matthew barney, mas ouvi dizer que não era melhor que a série cremaster.
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o noticiário na colômbia girava em torno de um conflito armado entre militares e policiais. um grupo teria disparado contra o outro num episódio que custou ser esclarecido pela imprensa. uma rádio deu as manchetes e depois entrevistou um ator francês, que contou que a cena mais difícil de fazer em seu último filme foi uma em que ele teve de se jogar numa piscina cheia de líquido vermelho, simulando sangue.
o jornalista carlos eduardo huertas, da revista semana, contou no congresso da abraji que as informações se misturam no país. o ouvinte de uma rádio, respondendo à pergunta do locutor para ganhar um carro, disse que a notícia da semana foi um confronto entre militares e policiais por um grupo ter jogado o outro numa piscina de sangue.
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i just want to sing, drink and fuck. if i weren’t in a band, i’d go to africa to feed the lions. são as palavras do vocalista do joyside, banda de punk rock chinês, com o lema “drunk is beautiful”. a trupe de malucos é tema do documentário beijing bubbles, que teve sessão na estréia do resfest hoje na cinemateca. o filme de susanne messmer e george lindt mostra uma pequim psicodélica, explodindo no calor dos néons. faz também um retrato íntimo das bandas new pants e hang on the box.
no espaço teenage riot, perdi uns segundos com o vídeo by your side, da olivia hanssen e do marcio simnch. menino e menina de beleza entorpecente se cobrem de purpurina e cores gritantes ao som de cocorosie.
começou pontual o show do my brightest diamond. não empolgou as cem almas que rumaram pro jardim da cinemateca pra ver a bandinha. não teve clima. a marina lima tava lá, mas desapareceu minutos depois. o pessoal começou a dispersar quando os djs desmontaram as mesas de som muito antes da hora.
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não foi hoje, mas o chris olhou pras minhas pupilas dilatadas outro dia no café e perguntou se eu estava cheirando. disse que não. vai ver é esse hábito irritante de ter o olho maior que a barriga que tem desregulado tudo. hoje só um mocha doppio e uma folheada rápida nas revistas.
jean-claude carrière disse na última cult que se divertiu horrores na índia com peter brook. depois se gabou de contabilizar mais de 2.000 refeições ao lado de luis buñuel, dizendo que nem certos casais detêm tal recorde.
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contei dois espelhos quebrados na calçada esquerda da augusta no trajeto entre a antônio carlos e a praça roosevelt. o maison, puteiro na altura do número 600, tem reforçado o hábito de espalhar pétalas de rosas pela calçada. hoje elas se perderam no meio dos cacos prateados dos espelhos.
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na frente dos satyros, cléo e laerte dividiam uma cerveja. estão estudando textos pra próxima peça. o daniel apareceu de novo e me cumprimentou meio lacônico. a praça não é mais a mesma ou fui eu que mudei sem me dar conta.