Arquivado em: silasmarti
estreou no satyros esse domingo el truco, peça que desmonta a mise-en-scène e questiona o real e sua representaçao, a vida e o personagem. é estranho dizer, mas é talvez das peças mais intimistas da companhia. mais do que a autobiográfica a vida na praça roosevelt, que pôs o grupo do rodolfo e do ivam no mapa cultural. estão em cena na nova montagem cada ator, camareiro e garçom da companhia, que dão a vida para se manter no teatro.
escancarar velhos conflitos em cena e confessar o tamanho do ego faz bem, e a peça tem uma autenticidade vibrante. o figurino e direção também estão bem resolvidos, mas o enredo patina e perde o ritmo lá pelas tantas. ainda vale pelo bom humor, que resgatou do mangue uma tarde chuvosa em fim de inverno paulistano.
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à noite, depois de vinho e jantar com o will, foi a vez de lars von trier se mostrar no reflexo e descortinar a máquina por trás do cinema. o grande chefe é simples e direto, sarcástico na medida certa. os cortes acidentados, a edição tremida dão conta de passar certa impressão de desapego. mas tudo é cálculo numa comédia que se equilibra no tempo justo.
o minimalismo dos cenários, a fotografia lavada e o figurino calado em tons neutros são notas de uma sinfonia do understatement: tudo gira a favor desse humor que expõe o ridículo e a banalidade dos dramas mais sinceros.